Baianos em expedição remam de Salvador ao Rio de Janeiro - Um deles valenciano de coração

A dupla de navegadores Márcio Torres e Hamílton Souza produzirão imagens com suas câmeras ON BOARD para a websérie REMANDO EM PRESERVAÇÃO. O foco será unir os dois pilares supracitados com as condições culturais oferecidas ao longo da viagem.

Você conhece todo o litoral brasileiro de perto, para além daquele mostrado nas imagens publicadas em revistas, sites e propagandas de turismo? Pois, esse é o propósito do PROJETO REMANDO EM PRESERVAÇÃO, desenvolvido pela LEMURIAN EXPEDITIONS: mapear o litoral brasileiro através da EXPEDIÇÃO 1700 KM – SALVADOR > RIO DE JANEIRO. Um mapeamento cujo olhar será bem de perto, algo só permitido por uma viagem a remo e utilizando embarcações de raso calado. Este projeto se dará fundamentado por três pilares: o ambiental, o histórico e o cultural.


No contexto ambiental, o projeto é parceiro da REBICOP, projeto liderado pela Drª Olívia Oliveira, diretora do Instituto de Geociências (IGEO) da UFBA e pelo professor Antônio Fernando Queiroz, titular do IGEO/UFBA. Trata-se de uma rede de pesquisa, composta por projetos cooperativos e financiada pelo CNPq e pela Marinha do Brasil, que vem monitorando o derramamento de óleo que atingiu todo o litoral do Brasil em 2019, e aplicando soluções em biotecnologias e remediações nos locais afetados. Durante o percurso, a Expedição pretende mapear as comunidades ribeirinhas que estão sofrendo com o impacto do derramamento de óleo, para que a REBICOP possa visitá-las posteriormente, aplicando as biotecnologias desenvolvidas no laboratório.


Um conjunto de sensores foi construído e instalado no caiaque de Márcio Torres, permitindo a coleta de dados sobre a qualidade das águas entre a Baía de Todos os Santos e a de Guanabara. Essas informações serão transmitidas em tempo real e automaticamente a cada 10 minutos para o Centro de Excelência em Geoquímica, Petróleo, Energia e Meio Ambiente (LEPETRO)/IGEO/UFBA, que poderá, em posse dessas informações, entender melhor o ambiente costeiro afetado pelo derramamento de óleo de 2019, bem como propor novas tecnologias de remediação.


Um olhar especial para a História


O litoral brasileiro é riquíssimo em monumentos históricos e muitos deles estão em ruínas, abandonados. A EXPEDIÇÃO REMANDO EM PRESERVAÇÃO – 1700 KM – SALVADOR > RIO DE JANEIRO permitirá a aplicação de um projeto científico produzido pelo graduando em História, Márcio Torres, sob orientação do Dr. Alfredo Matta, professor de História da Bahia e coordenador do curso de História da UNEB/UNEAD, instituição na qual Torres é aluno. A pesquisa buscará contextualizar através dos monumentos históricos encontrados no percurso, a história do Brasil nesse litoral. Da ancestralidade aborígene, passando pelas primeiras expedições europeias e a formação da sociedade colonial portuguesa, até os dias atuais, entendendo ser a História chave para compreensão do Brasil contemporâneo. Nesse contexto, pretende ressaltar a importância da conservação desses monumentos para a preservação da memória histórica do povo brasileiro.


A dupla de navegadores Márcio Torres e Hamílton Souza produzirão imagens com suas câmeras ON BOARD para a websérie REMANDO EM PRESERVAÇÃO. O foco será unir os dois pilares supracitados com as condições culturais oferecidas ao longo da viagem. Através das vivências da dupla com as comunidades de pesca, seus olhares fotográficos da natureza e observações quanto ao estado de conservação desse litoral. Tudo isso editado pelo excelente videomaker Marcelo Ritter (@marceloritter).


Navegadores Hamílton Souza e Márcio Torres, e ao centro o empresário Fábio Melo do Guaibim Praia Hotel.


Assista também a primeira matéria do Globo Esporte, da TV Bahia (Rede Globo):

Praias de Valença e Cairu


A expedição saiu no dia 1º de novembro de 2021 da Baía de Todos os Santos, mais precisamente da Prainha do 2° Distrito Naval (ao lado da rampa do Mercado Modelo), em Salvador, rumo à Baía de Guanabara, na prainha da Urca, Rio de Janeiro. Após forte emoção na saída, atravessaram a Baía de Todos os Santos sob forte corrente contra com a maré enchendo. Pararam na praia da Conceição, na Ilha de Itaparica, após 18 Km remados. No segundo dia, Um encontro especial com o mestre saveirista Denico, em Caixa Pregos, na Ilha de Itaparica.


No terceiro dia da Expedição, os remadores chegaram à Praia do Guaibim, em Valença. Eles foram recepcionados pelo sócio proprietário do Guaibim Praia Hotel, Fábio Melo. "Estamos no Guaibim e precisava fazer um "post" para agradecer a esse cara que acreditou de primeira em nosso projeto. Este hotel faz parte de algumas das minhas melhores memórias de infância e adolescência. Agora também, registrado nessa bela e pioneira expedição. Muito obrigado por acreditar nesse sonho!", afirmou Márcio Torres. Nesta sexta (05/11), eles passaram pelo Morro de São Paulo e Garapuá, na Ilha de Tinharé, município de Cairu. Quem quiser acompanhar a aventura pelos mares, pode acessar as redes sociais: @lemurianexpeditions


Entrevista


Confira a entrevista com Márcio Torres, realizada dia 31 de outubro, um dia antes da saída de Salvador:


VANESSA ANDRADE - Como foi a preparação para este projeto?


MÁRCIO TORRES - "O projeto nasceu em 2012. Aguardamos o momento certo para executá-lo. E, desde de março do ano passado, quando estourou a pandemia, nós entendemos o momento como uma oportunidade pessoal e profissional para pararmos tudo, e mergulhar definitivamente neste projeto. Então, a nossa preparação física, técnica e organizacional, ampliando a ideia para algo científico, tanto da parte ambiental como histórica se iniciou em março de 2020. Um trabalho árduo de um ano e meio, muito importante até mesmo para o amadurecimento do projeto.


VANESSA ANDRADE - Você já viveu alguma experiência parecida?


MÁRCIO TORRES - "Fizemos algumas expedições pela Bahia. Em 2013, remamos de Salvador para Maragogipe. Eu fiz a volta na Ilha de Itaparica. Em 2014, remamos Salvador > Morro de São Paulo. Depois fizemos Morro de São Paulo > Porto Seguro, a mais longa que já fizemos. Também dei a volta na Ilha de Tinharé, em Cairu. Depois retornando de Morro para Salvador. Hamilton é um velejador, já tem uma prática. Eu venho do boryboard, andarilho com algumas expedições caminhando no currículo. Sempre gostei muito de atividades de longa duração. E, quando descobrimos o caiaque oceânico, vislumbramos uma grande oportunidade de expedições pela autonomia que ele nos proporciona. Posso dizer que não somos remadores profissionais. Somos um velejador e um surfista, a bordo de dois caiaques em busca de vários objetivos que serão colhidos ao longo do trajeto para o Rio de Janeiro".


VANESSA ANDRADE - Quais as expectativas de vocês para esses 1700 km pelos mares?


MÁRCIO TORRES - "Temos algumas missões a cumprir em um projeto que ganhou cunho social, socioambiental, histórico e cultural. Precisamos cumprir o trajeto de 1700 km, assim como documentar isso. Vamos colher dados para o Instituto de Geociências da UFBA, possibilitando analisar a qualidade das águas, mapear as comunidades pesqueiras que sofrem com os impactos do derramamento de óleo que ocorreu em 2019. Isso em parceria com o projeto REBICOP/UFBA e também com a UNEB, onde sou aluno de História. Queremos fazer uma contextualização histórica desse litoral brasileiro, entre as baías de Todos os Santos e Guanabara. Então, além da própria expedição em si, de remada, precisaremos documentar isso tudo. Até para criação de um documentário. Estarei filmando tudo durante o percurso. Também serei colunista do jornal A Tarde, durante o período da viagem. E, provavelmente, estaremos produzindo um diário de bordo para o Globo Esporte, uma vez por semana. Um grande desafio conseguir produzir isso tudo, com estrutura mínima, dentro de um caiaque, em condições adversas, sem conforto e preservando os equipamentos eletrônicos.


Agradeço a oportunidade dessa entrevista, de falar com o público. Um abraço para todos os meus amigos e familiares de Valença. Tenho um carinho muito grande por essa cidade. Não sou nascido em Valença, mas residi por algum tempo e a mantenho no meu coração. Me considero valenciano e tenho muito carinho e respeito pelo povo, pela cultura e biodiversidade locais. É um lugar onde me sinto bem. A natureza da Costa do Dendê fala uma verdade no meu coração".






Canal: Lemurian Expeditions

Por Vanessa Andrade

Fotos: Divulgação / Redes sociais

novocardestúdio.jpg
CARROFEED.jpg
cairu007.jpeg
pilates1 (3).png
vostokfeed.jpg
cardsimple1.jpg