Artigo: Dr. Pablo Sales, Aprendendo a Ensinar

O século XXI veio carregado de revolução nas mais diversas áreas do conhecimento. E muito desses avanços foram protagonizados por mentes criativas, determinadas e que tiveram extensa formação acadêmica.

Os anos de estudo desses revolucionários da ciência foram, em regra, em uma instituição de ensino e tendo professores como provedores da educação. Mas a educação também sofre sua revolução.

Em conversa com meu amigo Flávio Hauser, grande entendedor da Educação e um dos idealizadores de uma ONG voltada para o ensino na Península de Maraú, ele me sinalizou para a queda do modelo didático corrente e foco em outros pontos.

O primeiro ponto de ebulição parte da premissa que o professor não é mais o detentor da informação. A informação está disponível em abundância à mercê de um click. Mas como obter esses dados, fazendo direcionamentos e triagem sem equívocos ou dispersão? Entra então o professor para ensinar o aluno a pesquisar, pois uma pesquisa mal feita consegue ser mais improdutiva que a absoluta falta de conhecimento.

O segundo ponto tem como grande adversário a lógica capitalista, colocando os bens de consumo como motor da humanidade. Esses bens requerem matéria prima obtida desse espoliado planeta que vivemos. E segundo essa mesma lógica, os bens não podem durar muito sendo então prontamente descartados. Resultado, a Terra corre o riso de virar uma grande lixeira. Pensando nisso, o cuidado com o meio ambiente vira matéria fundamental nesse modelo por uma questão simples: a sobrevivência da raça humana.

O terceiro ponto perpetra todos os outros. A inteligência emocional. Sem inteligência emocional não se consegue realizar, conviver, produzir e nem atingir seu bem-estar pessoal. Temos exemplos de pessoas criativas, habilidosas e com boa formação acadêmica que são um desastre nos cargos que ocupam. Desse modo, esse ponto deve ser trabalhado à exaustão, se utilizando ferramentas próprias desse modelo pedagógico, com um foco importante, acredito eu, na autoestima do estudante.

E, como médico, acrescento outro tópico importante para ser abordado. O cuidado com a saúde, o conhecimento do funcionamento e dos limites do corpo. Quando a própria saúde é negligenciada, dias de sofrimento podem vir. A informação dos possíveis danos que um fator externo pode causar nos permite fazer escolhas mais conscientes do destino que queremos dar ao próprio corpo. Permite que façamos ponderações sobre a recompensa atual e futura.

Portanto, se a educação é anunciada como o único caminho possível e tão presente nos discursos políticos, precisamos discuti-la e levá-la mais além. E assim vamos vivendo, de revolução em revolução até, quem sabe um dia, voltarmos para o lugar de onde partimos.

Pablo Sales, médico e diretor da Clínica Dayclin, em Camamu.

#AprendendoaEnsinar #ArtigoDrPabloSales

novocardestúdio.jpg
cairu007.jpeg
pilates1 (3).png
cardsimple1.jpg